Carta de um castrejo publicada no jornal " Correio de Melgaço"

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Carta de um castrejo publicada no jornal " Correio de Melgaço"

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PT/MMLG/DEM-CC/36

Title type

Atribuído

Descriptive dates

27/10/1916

Dimension and support

1 p.

Scope and content

36.ª - «Sr. Redator: chegamos à época das reinspecções e não sei se os das classes que deviam apresentar-se no dia 25 (1911 a 1915) o fizeram, pois foi tal a invernia que nem pudemos sair da nossa morada, mais que para ordenhar as vacas, achegar-lhes os bezerros e ir ao coberto buscar feno. Sabê-lo-emos para a próxima semana e conglobaremos as notícias por, nos dias um e dois, terem o dever de também se apresentar os de 1891 a 1910. Não haverá, indubitavelmente, um castrejo que falte ao cumprimento do seu dever para com a pátria e a lei. Não. Cremo-lo piamente; e, quem dera a “um castrejo” a idade e a saúde que permitem as reinspecções, para poder ir convosco, mancebos amigos, fortes e sadios, até lá, e todos voltarmos ao nosso querido lar, certos de que somos aptos para servir e defender a pátria – este rincão da Terra, pequenino, mas lindo, lindo… como não há outro igual! Não irei, mas cá estou, do alto deste montado, para defender, com o corpo alquebrado pelos anos e as doenças, as mourinhas do castelo; pois a minha caçadeira, raro tem errado um javali ou uma corça, e nunca se lhe escapa uma perdiz (que não oiçam os da Comissão Venatória). E se algum castrejo não for às reinspecções (…) ou se tal crime se perpetrar, será incontestavelmente devido à falta de educação cívica, à falta de amor pátrio, por conseguinte à míngua de instrução. Nós temo-la reclamado daqui, há muito tempo. Nós nem só havemos tocado a rebate os sinos da nossa aldeia – que já foi Vila – a fim de acalmarmos o fogo da ignorância, mas até havemos gritado com toda a força dos nossos pulmões – gritos que hão ecoado por essas montanhas, prevendo perigos e rogando os remédios! Quem nos ouviu? Quem buscou, ao menos, ser-nos útil, ser-nos agradável, dar-nos aquilo que, de direito, nos pertence, fornecer-nos a luz da alma, escurecida pela carência absoluta de instrução – só “vislumbrante” pela estrela da filosofia natural, que nos indica a seguir o caminho do Dever, como a Divina Estrela indicou aos Reis Magos o Presepe de Belém? Queridos conterrâneos: aqueles que durante um triénio geriram os negócios da instrução neste concelho, não contentes de nada fazerem em vosso proveito, atiraram-nos – em vésperas de eleições – para reger a vossa única escola, de tudo desprovida, e até de competência pedagógica e instrutiva, um interino sem exame do 1.º grau! Seria irrisão? Seria ignorância? Se irrisão, pagai com o desprezo, que é a melhor arma para matar a vilania; se ignorância, elegei a Instrução que vos iluminará a alma, que vos iluminará a consciência, que vos criará os sentimentos nobres e altruístas que dignificam, que alcandoram o homem a ser consciente. Aproxima-se o dia em que todo o cidadão livre, do concelho, por meio do voto, que é livre também, tem de eleger os edis municipais. São estes os que superintendem no ensino, são estes os que podem dar-nos escolas e luz, são estes os que podem atender às nossas reivindicações constantes. (...) // Ainda não nos consta que o inspetor do círculo haja tomado providências com relação às interinidades que a sábia edilidade concelhia proveu. Será S. Ex.ª conivente naquelas monstruosidades? Não o acreditamos; porém, se assim… usaremos dos direitos que a Lei nos faculta e esta será inflexível e dura, como o sílex dos nossos montes, senhor Inspetor. CL, 27/10/1916.»

Language of the material

Por (português)